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sábado, 2 de maio de 2026

A Marca do Tempo: O Carimbo da I Exposição Filatélica Nacional em 1935

Carimbo Comemorativo 1.ª Exposição Filatélica Portuguesa (1935)

A I Exposição Filatélica Portuguesa, realizada em junho de 1935, constitui um marco fundamental para compreendermos a filatelia não apenas como um passatempo, mas como um relevante bem cultural, artístico e patriótico. Este evento histórico, que teve lugar nos salões da Câmara Municipal de Lisboa, oferece lições valiosas sobre a profundidade e a organização desta atividade.

O Selo como Arte e o Carimbo como Valor Filatélico

Um dos aspetos pedagógicos centrais da época é que cada selo deve ser encarado como uma pequena obra de arte, mas o seu valor histórico atinge o auge quando autenticado pela marca postal. Enquanto a exposição de 1935 celebrava o génio de Francisco de Borja Freire — o gravador dos primeiros selos de relevo de 1853 — o evento criava a sua própria Estação Postal da Exposição Filatélica. Como indicavam os anúncios da época, toda a correspondência de figuras como Luiz de Sá Nogueira era canalizada para esta estação específica, com um objetivo claro: garantir que o selo comemorativo fosse obliterado com o carimbo exclusivo daquele certame. Esta marca, de uso restrito e temporário, transformou-se no "melhor recordação" e num "seguro valor filatélico", demonstrando que a beleza da gravura nacional ganha uma nova dimensão de raridade quando acompanhada por uma obliteração comemorativa que imortaliza o momento e o local da sua circulação.

Organização e Metodologia no Colecionismo

Para quem deseja elevar o nível da sua coleção, a estrutura da exposição de 1935 serve como um excelente guia metodológico. O certame foi organizado em classes e grupos que ainda hoje definem o rigor do colecionismo:

  • Coleções de Estudo: Focadas na investigação técnica sobre o selo (cunhos, variedades, papel).
  • Coleções Especializadas: Que utilizam conhecimentos filatélicos aprofundados sobre uma emissão ou tema específico.
  • Coleções de Catálogo: Organizadas com o objetivo de reunir os selos de um país seguindo os guias gerais.
  • Literatura Filatélica: Essencial para o suporte científico e histórico do colecionador.
Um Espelho da História Nacional

Do ponto de vista pedagógico, os selos funcionam como um curso visual de história nacional. Através das emissões exibidas em 1935, era possível traçar a biografia de figuras cimeiras como D. Afonso Henriques, D. João I, Vasco da Gama ou Luís de Camões, além de identificar monumentos e produtos das colónias que compunham a identidade portuguesa da época.

O Reconhecimento Institucional

A importância do evento foi validada pela presença das mais altas esferas do Estado. A inauguração contou com a visita do Chefe de Estado, que observou de perto o património da Casa da Moeda, incluindo máquinas impressoras, matrizes e cunhos originais. Esta colaboração entre entidades oficiais e colecionadores particulares sublinha que a filatelia é uma responsabilidade partilhada na preservação da memória da Nação.

Em suma, a memória da exposição de 1935 recorda-nos que ser colecionador é ser um guardião da história, exigindo estudo, paciência e um olhar crítico sobre o detalhe.





Biblioteca Nacional Digital - 1ª Exposição filatélica portuguesa / org. Câmara Municipal de Lisboa. - Lisboa : Câmara Municipal de Lisboa, 1935. - [8], 32 p. : il. ; 21 cm

Fotografia: O Chefe de Estado observa um cunho da Casa da Moeda durante uma exposição filatélica. 1 de junho de 1935.

Vídeo RTP: Inauguração da 1.ª Exposição Filatélica Nacional


Ficha de catálogo do sobrescrito no blog Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia com o código PT-SOB-1935-AFI546-CCO-ECOT

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