Resumo
Este artigo analisa a dualidade medalhística da Exposição Filatélica Internacional do Centenário do Selo Postal Português (1953), confrontando a medalha oficial identificada no catálogo do certame com a medalha comemorativa anónima analisada pela crítica numismática da época. Através do cruzamento entre o catálogo oficial e a recensão de Alexandre Ferreira Barros na revista O Tripeiro, discute-se a coexistência de uma peça de autor (Norte de Almeida) com uma peça de cariz institucional e técnico. O texto sublinha a importância desta diferenciação para a compreensão da representação artística e da memória histórica do evento.
Palavras-chave: Exposição Filatélica Internacional de 1953; Marcelino Norte de Almeida; Alexandre Ferreira Barros; Medalística portuguesa; Centenário do Selo Postal Português; Casa da Moeda; Património Numismático.
Introdução
Dando continuidade à análise da Exposição de 1953, importa olhar para os objetos que materializaram a memória do centenário: as medalhas. Se a Classe de Honra foi a "vitrine diplomática" do selo, as medalhas foram os testemunhos perenes do evento. Contudo, a investigação documental revela uma discrepância interessante entre a peça validada pelo catálogo oficial e aquela que mereceu o escrutínio da crítica especializada contemporânea.
Nota metodológica e decisões editoriais
O presente texto baseia-se no cruzamento de duas fontes primárias distintas: o Catálogo Oficial da Exposição de 1953 e o artigo crítico "Novas Medalhas" de Alexandre Ferreira Barros (O Tripeiro, agosto de 1953).
- Privilegiou-se a identificação formal do catálogo para definir a "medalha oficial".
- Utilizou-se a recensão de Ferreira Barros para documentar a existência e as características técnicas da medalha comemorativa anónima.
- Mantém-se o rigor descritivo, evitando confundir a autoria de Norte de Almeida (explicitada no catálogo) com a autoria institucional da segunda peça (apontada pela crítica).
A Medalística na Exposição Filatélica Internacional de 1953
Entre a Assinatura de Autor e o Cunho Institucional
A celebração do Centenário do Selo Postal Português em 1953 não se esgotou na exibição filatélica; estendeu-se à produção medalhística de alto relevo, marcada por duas peças que, embora partilhando a efígie de D. Maria II, apresentam origens e propósitos distintos.
A Medalha Oficial: O Prestígio de Norte de Almeida
De acordo com o Catálogo Oficial, a medalha que representa a Exposição é a obra modelada pelo escultor Marcelino Norte de Almeida e cunhada na Casa da Moeda. Esta peça é uma afirmação da medalística de autor do século XX, onde o busto da soberana é interpretado com o traço estilizado e a elegância característica de um dos maiores mestres da época. A sua inclusão no catálogo confere-lhe o estatuto de peça oficial de aclamação do certame, sendo a face artística que a organização pretendia perenizar.
A Medalha Comemorativa: A Visão de Ferreira Barros
Surpreendentemente, a análise do numismata Alexandre Ferreira Barros, publicada contemporaneamente ao evento, foca-se numa peça distinta: a Medalha do I Centenário do Selo Postal Português. Ao contrário da anterior, esta medalha:
- Não apresenta assinatura de autor, sendo identificada por Barros como um "arranjo dos serviços técnicos" da Casa da Moeda.
- Privilegia a fidelidade histórica, reproduzindo de forma mais literal o cunho original de Francisco de Borja Freire de 1853.
- É alvo de uma crítica estética severa por parte de Barros, que aponta um desenho "um pouco descuidado" na cabeça da rainha, em contraste com a qualidade que se esperaria de uma peça desta importância.
Considerações Finais
A coexistência destas duas medalhas revela uma dualidade na gestão da memória do evento: por um lado, o reconhecimento da arte contemporânea através da encomenda a Norte de Almeida (registada no catálogo); por outro, a reproducão da tradição histórica através de uma peça institucional anónima (analisada pela crítica).
Para o investigador e para o colecionador, compreender que a "medalha de Ferreira Barros" e a "medalha do catálogo" são objetos distintos é essencial para a correta classificação deste património.
Nota Curatorial:
Nos próximos artigos, faremos a análise da publicidade constante no catálogo.
Nos próximos artigos, faremos a análise da publicidade constante no catálogo.
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