domingo, 19 de junho de 2011

Caros leitores,


 Aqui vos apresentamos 4.º selo da série alusiva "Centenário Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado", no qual é retratado um pormenor da obra "O Cais 44" datada de 1943-44.

Fernando Resende da Silva Magalhães Lanhas nasceu na freguesia da Vitória, na cidade do Porto, em 16 de Setembro de 1923, fruto do segundo casamento de Luís da Cunha Magalhães Lanhas, comerciante de tecidos, com Maria Amélia Resende da Silva Magalhães Lanhas, modista. Residiu no n º 74 na Rua José Falcão até à morte dos pais.
Desde criança que se inquietou com as origens do Homem e com o conhecimento do Universo, temas que motivaram os primeiros trabalhos artísticos e as primeiras pesquisas científicas.
No ano lectivo de 1941-1942 inscreveu-se no Curso Especial de Arquitectura, da Escola de Belas Artes do Porto, depois do qual se matriculou, no ano de 1945, no Curso Superior de Arquitectura, na mesma instituição de ensino. Terminou estes estudos em 1947 com a apresentação de um projecto sobre a construção de um museu, que lhe valeu a classificação de dezanove valores.
Fotografia do grupo de artistas Os Independentes, 1944 / Photo of the group of artists The Independent, 1944Nos anos passados na ESBAP mostrou-se um aluno atento e empenhado. Nesta instituição dirigiu o Grupo de Estudantes de Belas Artes. Teve por colegas Nadir Afonso e Júlio Pomar, com quem conversava sobre Arte. Começou a pintar quadros figurativos, que rapidamente se transformaram em obras abstractas. Envolveu-se na organização das Exposições Independentes dos Alunos da ESBAP, em 1944, e colaborou na página "Arte" do jornal diário do Porto, "A Tarde", em 1945. Pouco depois viajou até Paris, onde visitou e desfrutou de importantes certames de Arte, como o Sallon des Réalités Nouvelles, em 1947.
Entre 1948 e 1951 publicou desenhos na Portucale, Revista de Cultura Literária, Científica e Artística, e participou em várias exposições. Em 1951 entrou no concurso para professor do Ensino Técnico Profissional e realizou provas para obtenção do Diploma de Arquitecto. Nesse ano, em colaboração com os arquitectos Viana de LimaArménio Losa e Cassiano Barbosa, organizou uma exposição de Arquitectura, impulsionada pela Organização dos Arquitectos Modernos, que teve lugar no Porto e, no ano seguinte, em Aveiro, e fez, ainda, o mapa do digrama da cor das obras do pintor Dominguez Alvarez.
Caricatura de Fernando Lanhas por Vasco / Caricature of Fernando Lanhas, by VascoEm 1953 casou com Maria Luísa Pereira Viana com quem teve dois filhos. Nesse ano, expôs em Lisboa, no Brasil e em Veneza, desenvolveu vários projectos arquitectónicos e começou a fazer colagens.
Em 1954 dirigiu os números 1 e 2 das Publicações de Arte Contemporânea e participou no I Salão de Arte Abstracta. Dessa data até 1958 riscou uma habitação. Em 1956 ocupou o cargo de arquitecto estagiário na Escola Superior de Belas Artes do Porto e, entre 1958 e 1962, centrou-se no projecto a "Casa do Espaço".
Desde os anos 60 desenvolveu o gosto pelo estudo dessa área do saber. Em 1963 elaborou o "Quadro Geral do Universo", em 1965 construiu um modelo reduzido do "Grupo Local das Galáxias", no final da década de sessenta estudou a hipótese de um universo com predomínio progressivo de um vão central; nos anos 70, na actual Escola Secundária Garcia de Orta, criou a Sala de Cosmografia, a primeira sala deste género no país, reconhecida pela NASA devido à sua importância didáctica e que motivou o convite feito a um aluno daquele Liceu para estar presente no lançamento da nave Apollo14. Infelizmente, esta sala desapareceu no período pós 25 de Abril de 1974. Neste ano, construiu um "Cosmoscópio", um livro onde reuniu programas sobre acontecimentos do universo e, em 1982, instalou no Museu Municipal de Paredes, um Diorama de Astronomia; em simultâneo, elaborava a "Carta das distâncias entre o Sol e algumas estrelas".

Como arqueólogo amador também deixou a sua marca, realizando o "Inventário dos lugares com interesse Arqueológico", que começou a ser publicado em 1965 em colaboração com D. Domingos de Pinho Brandão. Em ligação com a Arqueologia também se interessou pela Paleontologia, Biologia e Geologia. Em 1968 elaborou um estudo sobre a sinalização dos Monumentos Arqueológicos. Em 1969 publicou artigos a propósito das investigações por si realizadas na Revista de Etnografia. Em 1970 participou no II Congresso Nacional de Arqueologia, realizado em Coimbra. Em 1971 publicou estudos nas actas deste congresso, em parceria com D. Domingos de Pinho Brandão. Em 1972 participou nas II Jornadas Arqueológicas, em Lisboa. Das suas descobertas arqueológicas podem referir-se, entre outras, o Castro de S. Paio, em Labruge (1967) e a gravura rupestre no Monte da Luz, na Foz do Douro (1972).
O gosto pela Museologia, que nascera nos seus tempos de estudante, foi reavivado durante os anos 80. Projectou e executou montagens de colecções no Museu Municipal da Figueira da Foz, no Museu Monográfico de Conímbriga, no Museu Militar do Porto e na Biblioteca-Museu Municipal de Paredes. Planeou, também, o Museu de Mineralogia da Faculdade de Ciências do Porto e o Centro de Arte e Cultura Popular, em Via Nova de Famalicão.

É um homem de múltiplos interesses. Arquitecto de formação, é igualmente pintor, desenhador, poeta, arqueólogo, astrónomo e coleccionar por vocação.
Fotografia da Caixa Menina, de Fernando Lanhas / Photo of the Girl Box, by Fernando LanhasNa sua faceta de arquitecto presta grande atenção ao desenho e tem preferência pelas formas simples e funcionais, deixando transparecer influências da Bauhaus. Gosta de projectar moradias urbanas, modernas, mas respeitadoras da tradição, e espaços museológicos de forte pendor pedagógico. Entre as muitas que realizou, destacam-se as seguintes obras: o projecto nunca realizado da Casa do Espaço (1958-1962); Prédio de Rendimento, Porto (1957); Moradias no Porto e em Espinho (1959, 1970); Pavilhão de Exposições de Matosinhos (1964); Museu Monográfico de Conímbriga (1982) e Centro de Arte e Cultura de S. Pedro de Bairro, em Famalicão (1986).
Apesar de não ser considerado um pintor, é tido como um dos pioneiros da abstracção geométrica em Portugal. A obra 02-44 ou O Violino, exposta pela primeira vez em 1945, na III Exposição Independente, em Lisboa, e que hoje integra a colecção da CAM, é um marco histórico na pintura portuguesa. Numa época em que muito artistas seguiam a corrente neo-relista, Lanhas escolheu um caminho revolucionário. A sua obra pictórica é feita de aguarelas, serigrafias, pinturas sobre seixos rolados, colagens e xilogravuras. Na área do desdenho, insere-se na família dos grandes desenhadores modernos, aliando a capacidade de expressão ao virtuosismo da forma.

Também não se reclama um poeta, mas é autor de composições caracterizadas por um grande rigor formal e pela contenção da ideia. Desde muito cedo preocupou-se em registar os sonhos do próprio sonhador.
O interesse pela arqueologia e astronomia vem da sua busca incessante pelas origens, que estendeu ao coleccionismo. É um coleccionador de fósseis, seixos, areias de diversas partes do mundo, rochas, brinquedos, rótulos, anúncios, etc. Reúne e cria colecções devidamente rotuladas e também se interessa por fotografia, sobretudo antiga. 
Retirado de: 
http://sigarra.up.pt/up/web_base.gera_pagina?P_pagina=2448

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