- Diversidade Marcofílica: A peça apresenta o uso de carimbos raros das estações de Ferragudo, Estombar (com grafia de época) e Lâgoa. Destaca-se a evolução geométrica dos carimbos, desde os modelos de quadro de cantos cortados (Tipo 1880) até aos datadores de quadro retangular (Tipo 1928).
- História das Tarifas: Através de exemplares das emissões D. Carlos I, Infante D. Henrique e Caravela, a folha ilustra a descida tarifária para impressos e bilhetes de visita no serviço interno — uma curiosidade histórica onde o porte reduziu de 15c para 10c entre 1938 e 1943.
- Marcas de Trânsito e Luto: O uso de sobrescritos de luto pesado permite-nos analisar não só o contexto social, mas também o rigor do serviço postal, evidenciado por marcas de chegada em Faro batidas inclusive em feriados nacionais (5 de Outubro).
Bem-vindo ao blog Os Amigos da Filatelia. Fundado em 2010, o nosso grupo dedica-se exclusivamente ao estudo e partilha da cultura filatélica. Somos um projeto sem fins comerciais e não possuímos qualquer ligação a grupos homónimos em redes sociais. O nosso foco é, e será sempre, o colecionismo autêntico e a divulgação da filatelia.
Páginas
terça-feira, 12 de maio de 2026
Evolução Marcofílica e Tarifária em Lagoa - Algarve (1895-1944)
sábado, 9 de maio de 2026
A Exposição de 1953 em Lisboa: Do Crepúsculo da Época de Ouro à Institucionalização das Normas da FIP
O catálogo abre com um frontispício ilustrado, onde se destaca não só o General Craveiro Lopes, mas também o selo de 1$00 da série centenária, devidamente obliterado com o carimbo especial do certame.
Peça em análise: Catálogo da Exposição Filatélica Internacional de Lisboa (1953). Coleção: Museu de Filatelia Sérgio Pedro — Série: Catálogos de exposições).
Em outubro de 1953, Lisboa transformou-se na capital mundial da filatelia. Comemorava-se o primeiro centenário do selo postal português (1853-1953) e, para assinalar a data, organizou-se um evento de dimensões raramente vistas no nosso país. Através do Catálogo Oficial da exposição — um documento de inventário técnico e histórico — propomos uma visita guiada aos bastidores e à estrutura deste certame que marcou uma era.
- Sir John Wilson (Inglaterra): O célebre conservador da Coleção Real Britânica.
- Dr. Mario Diena (Itália): Representante de uma das mais prestigiadas dinastias de peritos filatélicos.
- Ernest A. Kehr (EUA): Renomado jornalista e divulgador filatélico.
- Cultura e Arte: Uma récita de gala no Teatro Nacional de São Carlos.
- História e Património: Visitas ao Museu dos Coches, Sintra e Vila Viçosa (Paço Ducal).
- Consagração: A cerimónia do Roll of Distinguished Philatelists, onde os maiores nomes da filatelia mundial deixaram a sua assinatura para a posteridade.
sábado, 2 de maio de 2026
A Marca do Tempo: O Carimbo da I Exposição Filatélica Nacional em 1935
A I Exposição Filatélica Portuguesa, realizada em junho de 1935,
constitui um marco fundamental para compreendermos a filatelia não apenas como
um passatempo, mas como um relevante bem cultural, artístico e patriótico.
Este evento histórico, que teve lugar nos salões da Câmara Municipal de Lisboa,
oferece lições valiosas sobre a profundidade e a organização desta atividade.
O Selo como Arte e o Carimbo como Valor Filatélico
Um dos aspetos pedagógicos centrais da época é que cada selo deve ser
encarado como uma pequena obra de arte, mas o seu valor histórico atinge o auge
quando autenticado pela marca postal. Enquanto a exposição de 1935 celebrava o
génio de Francisco de Borja Freire — o gravador dos primeiros selos de relevo
de 1853 — o evento criava a sua própria Estação Postal da Exposição
Filatélica. Como indicavam os anúncios da época, toda a correspondência de
figuras como Luiz de Sá Nogueira era canalizada para esta estação específica,
com um objetivo claro: garantir que o selo comemorativo fosse obliterado com o
carimbo exclusivo daquele certame. Esta marca, de uso restrito e
temporário, transformou-se no "melhor recordação" e num "seguro
valor filatélico", demonstrando que a beleza da gravura nacional ganha uma
nova dimensão de raridade quando acompanhada por uma obliteração comemorativa
que imortaliza o momento e o local da sua circulação.
Organização e Metodologia no Colecionismo
Para quem deseja elevar o nível da sua coleção, a estrutura da exposição de
1935 serve como um excelente guia metodológico. O certame foi organizado em
classes e grupos que ainda hoje definem o rigor do colecionismo:
- Coleções
de Estudo: Focadas na investigação técnica sobre o selo (cunhos,
variedades, papel).
- Coleções
Especializadas: Que utilizam conhecimentos filatélicos aprofundados sobre
uma emissão ou tema específico.
- Coleções
de Catálogo: Organizadas com o objetivo de reunir os selos de um país
seguindo os guias gerais.
- Literatura
Filatélica: Essencial para o suporte científico e histórico do
colecionador.
Do ponto de vista pedagógico, os selos funcionam como um curso visual
de história nacional. Através das emissões exibidas em 1935, era possível
traçar a biografia de figuras cimeiras como D. Afonso Henriques, D. João
I, Vasco da Gama ou Luís de Camões, além de identificar monumentos e produtos
das colónias que compunham a identidade portuguesa da época.
A importância do evento foi validada pela presença das mais altas esferas
do Estado. A inauguração contou com a visita do Chefe de Estado, que
observou de perto o património da Casa da Moeda, incluindo máquinas
impressoras, matrizes e cunhos originais. Esta colaboração entre entidades
oficiais e colecionadores particulares sublinha que a filatelia é uma
responsabilidade partilhada na preservação da memória da Nação.
Biblioteca Nacional Digital - 1ª Exposição filatélica portuguesa / org. Câmara Municipal de Lisboa. - Lisboa : Câmara Municipal de Lisboa, 1935. - [8], 32 p. : il. ; 21 cm
Fotografia: O Chefe de Estado observa um cunho da Casa da Moeda durante uma exposição filatélica. 1 de junho de 1935.
Vídeo RTP: Inauguração da 1.ª Exposição Filatélica Nacional
Ficha de catálogo do sobrescrito no blog Acervo e Ensaio do Museu de Filatelia com o código PT-SOB-1935-AFI546-CCO-ECOT




